Canelite x Corrida de Rua

As dores nos membros inferiores em corredores podem ter várias causas: musculares, order tendinosas ou ósseas. A síndrome de estresse do tibial medial, popularmente conhecida como periostite medial da tíbia ou Canelite, é uma inflamação do principal osso da perna, chamado tíbia, ou dos tendões e músculos que recobrem essa região, podendo, se não tratado, gerar a temida fratura por estresse.

Nossos ossos são revestidos por uma estrutura denominada periósteo, que por ser inervada provoca dor quando inflamada. Esta dor pode ocorrer também por fraqueza e insuficiência da musculatura que realiza o movimento de dorsi flexão, o Tibial Anterior.

Canelite é uma queixa comum em atletas, principalmente aqueles que costumam correr médias e longas distâncias. Além da corrida essa síndrome pode estar presente em outros esportes que envolvam o ato de pular, sendo os pousos e decolagens realizados em superfícies rígidas.

O quadro sintomatológico é caracterizado por dor na região anterior da perna que inicialmente ocorre durante o exercício e melhora após algumas horas, pode evoluir se não tratado da forma correta para dor persistente mesmo com o término da atividade, podendo dificultar até o andar de forma lenta.

Dentre os fatores de risco para o aparecimento da “canelite”, podemos citar:

– Aumento excessivo no volume e intensidade do treino; atividade sem orientação de um profissional adequado;
– Praticantes que são iniciantes na corrida;
– Fraqueza dos músculos dos membros inferiores, como também a falta de alongamento dos músculos que recobrem a articulação envolvida;
– Superfícies rígidas para prática do desporto devem ser realizadas com o calçado adequado;
– Alterações nos arcos plantares;
– Alteração no arco plantar;
– Tênis inadequado para o tipo de pisada.

O diagnóstico exato da lesão deve ser feito a fim de excluir a possibilidade de existir fratura por estresse. O relato da história clinica como também o exame físico é de fundamental importância para o diagnóstico. Caso se suspeite da fratura por estresse, a radiografia convencional é o primeiro exame por imagem a ser solicitado.

Para NAVES (2011), o tratamento pode ser feito através de:

– Correção de qualquer condição estrutural através da RPG (Reeducação Postural global);
– Modificação da atividade, evitando-se as corridas e os saltos por alguns dias. Durante esse período o condicionamento cardiorrespiratório poderá ser mantido através de exercícios em piscina ou ciclo ergômetro;
– A Crioterapia (gelo) e a eletroterapia podem ser usados objetivando a analgesia local;
– Exercícios de alongamento para os músculos envolvidos;

Com a regressão dos sintomas, devem-se iniciar de maneira progressiva os exercícios de fortalecimento para toda musculatura que envolve a articulação do tornozelo (tibiais, fibulares e tríceps sural). Assim que o atleta estiver assintomático, pode-se iniciar o trote/corrida sobre a grama, por aproximadamente 20 minutos, com uma progressão de 10 a 15 semanalmente. É importante ressaltar que o mesmo já deverá estar adaptado ao tênis, caso seja portador de alguma alteração estrutural.

Por
Vinicius Cremasco
Startmove Assessoria Esportiva

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