Testemunho: o que não fazer em uma prova de corrida!

Salve amigos…

Hoje vou prestar um testemunho: a diferença entre viver uma prova e sobreviver a ela. Neste caso começo lembrando um velho ditado: – Faça o que eu falo e não faça o que eu faço.

Tudo começou com a maior alegria da minha vida… a Tathi estava grávida! De lá até aqui, rx (hoje, patient 23/04, here minha 6ª Meia Maratona e cheio de dores) lá se foram aproximadamente 10 meses sem meus metódicos e virginianos treinos de corrida. Obviamente não extingui a modalidade da minha rotina, graças a meus queridos alunos de personal, mas a queda no volume e intensidade nos meus treinos foi drástica. Mas se não fossem vocês: Eliane, Samuca, Mariano, Adri, Cris e Ianes, as consequências poderiam ter sido bem piores.

Mas como sou meio maluco, Work e Runningaholic resolvi fazer este teste e sentir na pele o que, infelizmente e irresponsavelmente, acontece em todas as provas por esse Brasil a fora. Gente que não treina, gente que não procura um profissional habilitado para montar sua planilha, gente que “inventa” treinos ou segue planilhas prontas, gente que porque joga uma pelada por semana ou faz “musculação” se acham aptas a testar outra modalidade e se arriscam “saindo correndo” em provas de 5k, 10k e até 21k. Não queria dizer isso, mas por vezes encontrei pessoas deitadas nas ruas sendo atendidas pelo socorro e em duas ocasiões que presenciei…óbito!

Voltando à minha saga, me senti como naquele filme “Super size me”, ou em português: “A dieta do palhaço”, onde o cara passa um bom tempo comendo o fast food da marca do palhaço e vê sua saúde, forma física e psíquica desmoronarem. Para quem entende de corrida ai vão alguns números que lhe ajudarão a entender minha experiência: no ano passado realizava treinos de rodagem de 15k a 4:45 sem problemas, completei 25km na Maratona de São Paulo para o pace de 5:00/km e fiz 6 provas de 10 km abaixo de 4:20/km sendo a melhor 4:01/km. Na prova de hoje, tudo perfeito: clima nublado e úmido, diversos pontos de hidratação e sem tumulto para correr… tudo ótimo, se eu tivesse treinado descentemente. E lá foi o trouxa… Até que os primeiros 10k se passaram razoáveis, até porque é uma distância que brinco diariamente com meus alunos… No 14º km comecei a me arrepender de não ter entrado no funil para 10 km, ora sentia a coxa esquerda, ora a panturrilha direita… lá pelo 17º ganhei mais companhia além das dores musculares e articulares: náuseas, o café da manhã e o gel de hidratação queriam desistir da prova antes que eu, sem contar que a essa altura, minha frequência cardíaca dificilmente baixava dos 90%, mesmo com o pace desmoronando.

De bom, acho que só foi a responsabilidade de não querer tentar acelerar nos km finais como faço em todas as provas, o prazer de encontrar meus alunos na linha de chegada e a alegria de saber que o Bernardinho, meu filho, segue saudável e se desenvolvendo.

Espero que esse texto sirva como alento e incentivo para pessoas que não tem esse lastro de corrida e triathlon como o meu e arriscam sua vida em aventuras como esta. Por outro lado, bem orientada e executada, garanto-lhes que essa atividade mágica pode, ao contrário, salvar sua vida!

A propósito, fechei a prova com o pior tempo da minha vida (1:55:44) com o pace de 5:24/km.

Fico por aqui. Cheio de dores, gelo e febre. Mas com a certeza que a experiência foi válida e nunca mais a repetirei.

Boas corridas e

Que tal um sopro?

Por
Sandro Rodrigues dos Santos
Startmove Assessoria Esportiva

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